Career Frameworks para Scale-ups: Quando e Como Construir
Construído cedo demais é encenação. Construído tarde demais está a desfazer dois anos de negociações individuais. O gatilho é mais específico do que o número de pessoas.
Os career frameworks atraem dois erros opostos. Há empresas que constroem um com trinta pessoas, com oito níveis e uma matriz de competências, e passam um ano a manter uma estrutura que a organização não é grande o suficiente para precisar. Outras chegam às duzentas pessoas sem níveis nenhuns, altura em que cada salário é um acidente histórico e o modelo tem de ser encaixado à força em decisões que ninguém voltaria a tomar.
A pergunta útil não é "já somos grandes o suficiente" mas "já estamos a tomar as decisões que um modelo destes existe para suportar".
Os quatro gatilhos
- Não conseguem responder a "o que é preciso para chegar ao nível seguinte". Se alguém com bom desempenho pergunta e a resposta honesta é "depende", já estão a pagar pela ausência.
- As diferenças salariais dentro do mesmo trabalho são difíceis de explicar. Não necessariamente erradas — apenas inexplicáveis, o que tem o mesmo efeito na primeira vez que duas pessoas comparam.
- A promoção é o único mecanismo de reconhecimento que existe. Os títulos inflacionam porque não há mais nada para dar, e acabam com quatro "diretores" numa equipa de vinte.
- Cada contratação está a criar precedente interno. Todas as propostas comparadas com o mercado sem estrutura interna criam uma comparação que terão de defender mais tarde.
Dois destes em simultâneo costumam ser o momento de construir. Na prática isso acontece algures entre as sessenta e as cento e vinte pessoas na maioria das empresas, mas o intervalo é largo e é o ritmo de contratação, não a dimensão, que o determina.
Crie menos níveis do que pensa
O erro de desenho mais comum é ter níveis a mais. Cada um tem de ser distinguível na prática, defensável num caso de promoção e financiável. Um nível que não se consegue descrever sem usar a palavra "ligeiramente" não deve existir.
| Dimensão da empresa | Número exequível de níveis | Notas |
|---|---|---|
| Abaixo de 80 | 3 a 4 por percurso | Júnior, intermédio, sénior, mais um nível de lead quando existe mesmo |
| 80 a 200 | 4 a 5 por percurso | Um nível staff ou principal torna-se real; o percurso de gestão separa-se |
| 200 a 300 | 5 a 6 por percurso | Só acrescentar um nível quando há pessoas nas duas pontas dele |
Só acrescente o percurso técnico paralelo quando tiver pelo menos duas pessoas que realmente pertencem a ele. Publicar um percurso técnico que ninguém ocupa é pior do que não o ter: cria uma promessa implícita que a empresa depois não cumpre.
Escreva os níveis em âmbito, não em anos
Definições de nível escritas em anos de experiência são inutilizáveis, porque medem a coisa errada e não admitem discussão. Quatro dimensões fazem o trabalho:
- Âmbito — o tamanho do problema que se confia a esta pessoa. Uma tarefa, um projeto, um sistema, uma função.
- Autonomia — quanta direção precisa. Dizem-lhe o quê e como, dizem-lhe o quê, perguntam-lhe o que deve ser feito, decide o que importa.
- Complexidade — quão ambíguo e interdependente é o trabalho.
- Impacto — quem é afetado quando faz bem ou mal. O próprio trabalho, a equipa, equipas adjacentes, a empresa.
Escreva cada nível como um parágrafo em que uma pessoa se reconheça, e depois teste: dê a três líderes o mesmo perfil anonimizado e peça que o posicionem. Se discordarem, as definições não distinguem o que pensa que distinguem.
Ligue à remuneração de forma deliberada
Um career framework sem bandas salariais cria expectativas que a empresa não orçamentou. Bandas sem níveis criam decisões salariais que ninguém consegue defender. Construa os dois, ou aceite que construiu meio sistema.
A versão mínima viável: uma banda por nível, um posicionamento de mercado declarado, uma regra para o ponto de entrada de quem chega e uma regra sobre como alguém progride dentro da banda, distinta da progressão entre níveis. Depois uma regra sobre quem aprova uma proposta fora de banda e como fica registada.
É neste último ponto que os modelos morrem em silêncio. As exceções não são o problema; as exceções não registadas são. Três propostas fora de banda sem documentação e o modelo deixou de descrever como a empresa paga.
Posicionar quem já cá está
É a parte mais difícil e a que mais frequentemente é feita à pressa. Conte que vai encontrar pessoas pagas acima da banda do nível em que efetivamente estão e pessoas abaixo. Os dois casos são normais e os dois precisam de um plano antes de qualquer comunicação.
- Posicionar as pessoas por nível primeiro, usando as definições, sem olhar para o salário.
- Só depois sobrepor a remuneração e identificar os desvios nos dois sentidos.
- Decidir a abordagem de correção para quem está abaixo da banda, com calendário.
- Decidir a abordagem para quem está acima — normalmente congelar em vez de reduzir, com progressão mais lenta.
- Fazer o briefing de cado líder sobre a sua equipa antes de publicar seja o que for.
Um modelo destes é julgado inteiramente pelas três primeiras promoções decididas ao abrigo dele. Acertem nessas e torna-se o padrão. Falhem e torna-se um documento.
O que publicar
As definições de nível e os critérios de promoção devem estar sempre visíveis para todos: existem precisamente para responder a uma pergunta que hoje ninguém consegue ver respondida. As bandas salariais são uma decisão separada, e legítima em qualquer sentido — mas não publique nada enquanto os líderes não souberem explicar o modelo por palavras suas. A falha mais comum é anunciar transparência e deixar os líderes a responder a perguntas para que nunca foram preparadas.
Se está a ponderar isto agora, o trabalho de carreiras e compensação é o mesmo projeto, e fazê-los em conjunto é materialmente mais barato do que fazê-los com um ano de intervalo.
Co-fundadora — Pessoas e Gestão
Ana Reis
Constrói as fundações de Pessoas de empresas em crescimento — e acompanha-as até funcionarem no dia a dia.
Mais de Ana