Quando é que uma Scale-up Deve Contratar um Diretor de Pessoas?
O número de colaboradores é o gatilho errado. O certo é o momento em que as decisões de pessoas se tornam caras de reverter.
A pergunta costuma ser feita em número de pessoas. A partir de que dimensão precisamos de um Head of People? Cinquenta? Cem? O número é mau guia, porque duas empresas do mesmo tamanho podem ter exposições completamente diferentes consoante o número de decisões organizacionais irreversíveis que estão prestes a tomar.
Um enquadramento melhor: contrate liderança sénior de Pessoas quando o custo de errar o próximo conjunto de decisões organizacionais ultrapassar o custo da função.
Os gatilhos que interessam
Na prática, cinco sinais antecedem o momento em que uma empresa precisa mesmo de liderança sénior de Pessoas. Dois ou mais em simultâneo costumam ser decisivos.
- As decisões salariais estão a criar precedente. Cada proposta que faz agora estabelece uma comparação interna com que vai viver durante anos. Sem uma estrutura de níveis, está a acumular um problema que fica mais caro de desfazer a cada trimestre.
- A qualidade de gestão varia visivelmente entre equipas. Saídas, envolvimento e entrega diferem por líder e não por função, e ninguém é responsável por corrigir isso.
- A liderança gasta tempo relevante em decisões de pessoas sem enquadramento. Estrutura, níveis, promoções e questões organizacionais resolvem-se caso a caso na reunião executiva.
- Vem aí uma mudança estrutural. Uma reestruturação, uma aquisição, um mercado novo ou um salto de dimensão. São os momentos em que a ausência de uma função de Pessoas sai mais cara.
- O board faz perguntas organizacionais que ninguém sabe responder. Quem está preparado para substituir quem, risco de pessoa-chave, sucessão, custo por pessoa por função.
Repare que nenhum destes sinais é administrativo. Minutas de contratos, processamento salarial e logística de integração não exigem um Chief People Officer, e contratar um para resolver um atraso administrativo é a forma mais comum de isto correr mal.
O que a função deve realmente deter
Antes de escrever um anúncio, decida quais dos seguintes domínios a função detém em vez de aconselhar. A distinção determina a senioridade de que precisa e a remuneração que vai pagar.
| Área | Versão consultiva | Versão com poder de decisão |
|---|---|---|
| Estrutura | Apoia os líderes em reorganizações | Detém os princípios de desenho organizacional e contesta decisões estruturais |
| Níveis e remuneração | Administra as bandas definidas pelo CFO | Detém a filosofia de compensação e as regras de decisão salarial |
| Desempenho | Conduz o ciclo anual | Detém o padrão e o resultado da calibração |
| Qualidade de gestão | Propõe formação | Detém as expectativas para líderes e responsabiliza os líderes |
Uma empresa que quer a coluna da esquerda está a contratar um Head of People. Uma empresa que quer a da direita está a contratar um Chief People Officer, e deve esperar que essa pessoa discorde do CEO em público de vez em quando. Se a liderança não estiver preparada para isso, a versão com poder de decisão não sobrevive ao primeiro ano.
Três formas de esta contratação correr mal
Contratar para uma escala que não tem. Alguém vindo de uma empresa de 2.000 pessoas traz modelos calibrados para uma escala onde existem especialistas para os operar. Sem esse apoio, os modelos chegam como processo e a organização vive a contratação como burocracia.
Contratar quem constrói para uma função a funcionar, ou o inverso. Construir uma função de Pessoas do zero e gerir uma função estabelecida são trabalhos diferentes, com satisfações diferentes. Quem é excelente num fica frequentemente infeliz no outro.
Contratar antes de decidir o mandato. Se o CEO não decidiu se esta pessoa detém as decisões organizacionais ou apenas as apoia, a função acaba definida por quem empurrar mais nos primeiros seis meses, e raramente é quem chegou.
A versão mais cara desta contratação não é contratar cedo demais. É contratar senioridade sem lhe dar autoridade.
A opção fractional, avaliada com honestidade
A liderança de Pessoas fractional serve uma janela específica: as decisões passaram a ter peso, o volume ainda não. Tipicamente entre as quarenta e as cento e cinquenta pessoas, ou em qualquer dimensão em que esteja a acontecer uma mudança estrutural sem liderança sénior de Pessoas na sala.
Funciona quando o mandato é sistemas e decisões: estrutura, níveis, padrões de desempenho, regras de remuneração, reporte ao board. Funciona mal como substituto de capacidade — uma liderança fractional não absorve um atraso operacional, e tentar que o faça desperdiça a senioridade que se está a pagar.
Um teste útil: se o problema é que ninguém tem tempo, contrate um generalista interno de Pessoas. Se o problema é que ninguém tem o enquadramento, a liderança de Pessoas fractional é a resposta mais barata e mais rápida.
O que fazer nos seis meses anteriores
Seja qual for o caminho, a mesma preparação torna a contratação mais eficaz. Defina a estrutura de níveis, ainda que grosseiramente. Escreva aquilo por que um líder responde nesta empresa. Estabeleça quem decide remuneração e dentro de que limites. Registe a razão das últimas cinco promoções.
Nada disto exige um Chief People Officer, e tudo isto é trabalho que o vosso Chief People Officer passaria os dois primeiros trimestres a reconstituir.
Co-fundadora — Pessoas e Gestão
Ana Reis
Constrói as fundações de Pessoas de empresas em crescimento — e acompanha-as até funcionarem no dia a dia.
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