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Avaliação de desempenho: como criar um sistema que os líderes usam (com modelo e exemplos)

Um sistema de avaliação de desempenho vale o que vale a conversa que produz. Aqui está o processo completo, com modelo de formulário, tabela de níveis e doze exemplos de comentários.

Ana ReisAtualizado 8 de setembro de 202610 min de leitura

Uma avaliação de desempenho é o conjunto de regras escritas com que uma empresa julga o trabalho de cada pessoa: o que se espera de cada nível, o que conta como evidência e como as duas coisas se transformam numa classificação. Funciona quando o gestor consegue explicar a classificação sem abrir o formulário. Falha quando a explicação descreve o processo em vez do trabalho da pessoa.

Este artigo percorre o sistema todo, das expectativas por nível até à conversa, e inclui um modelo de avaliação de desempenho, uma tabela de níveis e exemplos de comentários prontos a adaptar.

Há uma forma rápida de testar o sistema que já existe: peça a um gestor que explique, sem notas, porque é que uma pessoa da equipa teve a avaliação que teve. Se a resposta começar pelo processo, o sistema está a produzir papelada em vez de julgamento. Isso acontece por duas razões estruturais, e nenhuma delas é o documento do modelo.

Falha um: ninguém definiu o que está a ser avaliado

Uma escala de classificação é um instrumento de medida. Não cria um padrão que não existe. Se a organização nunca escreveu o que se espera de alguém neste nível, nesta função, então "excede as expectativas" significa aquilo que cada gestor acredita em privado que significa.

É por isso que o trabalho de desempenho tem tantas vezes de começar a montante, nas definições de função e nas expectativas por nível. Os três inputs de que um gestor precisa antes de qualquer avaliação ser possível:

  • Resultados — aquilo que esta pessoa é responsável por entregar, enunciado de forma verificável.
  • Expectativas por nível — o que são âmbito, autonomia e complexidade neste nível, distintos do nível abaixo e do acima.
  • Comportamentos — o pequeno conjunto de comportamentos observáveis sobre os quais a empresa vai efetivamente agir, e não uma lista de virtudes.

Uma regra de edição útil: se não consegue descrever que evidência demonstraria uma competência, retire-a. Cada linha infalsificável de um modelo torna-se um sítio onde os gestores substituem a sua própria impressão, e as impressões diferem sistematicamente de gestor para gestor.

Falha dois: foi desenhado para o utilizador errado

A equipa de Pessoas não é a utilizadora de um sistema de desempenho. É a sua administradora. O utilizador é um gestor com oito pessoas, um compromisso de entrega e noventa minutos na semana para fazer isto bem.

Desenhar para essa pessoa produz decisões diferentes de desenhar para um processo completo:

Desenhado para o processoDesenhado para o gestor
Doze competências, cada uma com cinco níveis de proficiênciaQuatro a seis expectativas que distinguem este nível do seguinte
Um formulário que recolhe dados para reporteUma estrutura que ajuda a preparar a conversa
Orientação publicada na intranetOrientação dentro do modelo, no momento de utilização
Um ciclo que pressupõe tempo de preparação sem interrupçõesUm ciclo em que cada passo tem um custo de tempo definido

Modelo de avaliação de desempenho

O modelo abaixo é a avaliação inteira: seis secções, cada uma com uma regra sobre o que lá vai. É a regra que faz com que dois gestores diferentes produzam documentos comparáveis.

SecçãoO que se escreveExemplo de uma linha
Resultados do períodoAs três a cinco coisas de que a pessoa foi responsável, cada uma com o que aconteceu de factoFoi responsável pela migração do serviço de faturação; entregou dentro do trimestre, com duas semanas de atraso absorvidas pela equipa
EvidênciaSituações concretas e datadas, de todo o período — não impressõesMarço: reescreveu o manual de resposta a incidentes depois da falha de fevereiro; duas outras equipas passaram a usá-lo
Expectativas do nívelComo o trabalho se compara com o que o nível pede, expectativa a expectativaTrabalha de forma autónoma em problemas já enquadrados: cumpre. Enquadra o problema antes de alguém o fazer: ainda não é consistente
ComportamentosOs dois ou três comportamentos sobre os quais a empresa age, com um exemplo observado de cadaLevantou o risco na data de entrega cedo o suficiente para o plano mudar, à frente do cliente
Classificação e fundamentaçãoA classificação e a frase que sobreviveria a ser lida em voz alta à pessoaCumpre o nível: entregou o nível por inteiro, e o âmbito do trabalho correspondeu ao nível em vez de o ultrapassar
O que muda no período seguinteUma prioridade de desenvolvimento e uma coisa que o gestor vai fazer de forma diferenteAssume a revisão de desenho do próximo projeto; o gestor passa-lhe a relação com o cliente nesse projeto

Há um campo que não deve poder ficar vazio: o da evidência. Tudo o resto se corrige em calibração; um campo de evidência em branco não se corrige.

Tabela de avaliação de desempenho

Quatro níveis, cada um com uma definição escrita e um sinal observável. Três também funciona. Cinco é onde os dois níveis do meio deixam de significar coisas diferentes.

NívelDefiniçãoSinal observável
Abaixo do nívelO trabalho não correspondeu ao que o nível pede, e a lacuna é específica e não geralO trabalho deste nível é revisto ou refeito por outra pessoa com regularidade
Aproxima-se do nívelCumpre a maior parte do nível; uma ou duas expectativas ainda não são consistentesForte quando o trabalho já está enquadrado, ainda precisa de ajuda para enquadrar trabalho ambíguo
Cumpre o nívelCumpre o nível por inteiro, ao longo de todo o período, sem ressalvasO gestor entrega trabalho deste nível e deixa de ter de pensar nele
Acima do nívelO trabalho correspondeu ao nível seguinte, em âmbito e em autonomia, mais do que uma vezOutras equipas encaminham problemas deste tipo para esta pessoa antes de chegarem ao gestor

Repare no que o nível de topo não é: trabalhar muito, ser bem-visto ou ter tido um bom trimestre. É fazer o trabalho do nível seguinte.

Exemplos de comentários para avaliação de desempenho

É a escrever o comentário que a maioria dos gestores encrava. Doze exemplos para adaptar, três por nível. Cada um nomeia o trabalho, o efeito que teve e o que acontece a seguir.

  1. Abaixo do nível. Os dois últimos projetos precisaram de uma segunda passagem de um colega antes de poderem sair. O padrão está nos testes e não no desenho, o que o torna específico o suficiente para fechar num trimestre.
  2. Abaixo do nível. Os compromissos assumidos no planeamento mudaram três vezes sem que a alteração fosse sinalizada. O custo caiu nas equipas seguintes, que souberam tarde.
  3. Abaixo do nível. O trabalho técnico é sólido; a lacuna está na comunicação escrita, em que as decisões são registadas depois do facto e não antes. Ficou acordado um formato e um ponto de situação daqui a seis semanas.
  4. Aproxima-se do nível. Entrega de forma fiável quando o trabalho já está enquadrado. A expectativa ainda por cumprir é enquadrar o problema antes de outra pessoa o fazer, o que aconteceu uma vez e queremos ver como hábito.
  5. Aproxima-se do nível. Cresceu para a função ao longo do período. A segunda metade cumpriu o nível e a primeira não, e a classificação cobre as duas.
  6. Aproxima-se do nível. Forte na execução, ainda hesitante a escalar. Dois dos atrasos deste período eram visíveis semanas antes de terem sido levantados.
  7. Cumpre o nível. Foi responsável pela área mais exigente do plano e entregou-a sem que o gestor tivesse de segurar o planeamento. É isso o nível, feito por inteiro.
  8. Cumpre o nível. Conduziu uma conversa difícil com um cliente sem a escalar, e registou o desfecho para que a próxima pessoa não repetisse o percurso.
  9. Cumpre o nível. Consistente ao longo de todo o período, incluindo o trimestre em que a equipa esteve reduzida. Nada nesta classificação assenta nas últimas seis semanas.
  10. Acima do nível. Assumiu a metade ambígua da migração, definiu o âmbito e conduziu-a com duas pessoas ao lado. Âmbito e autonomia corresponderam ao nível seguinte.
  11. Acima do nível. Outras equipas passaram a trazer problemas deste tipo diretamente a esta pessoa antes de chegarem ao gestor, o que é uma mudança face ao início do período.
  12. Acima do nível. Reescreveu a forma como a equipa estima trabalho, o que mudou decisões fora do seu próprio projeto. O efeito para lá da entrega individual é o teste desta classificação, e está cumprido.

Como fundamentar uma avaliação de desempenho excelente

A classificação de topo é a que mais vezes é contestada e a que mais vezes é mal escrita. Três frases, por esta ordem, sobrevivem à sala:

  1. Evidência. O trabalho concreto e datado em que a classificação assenta. Duas situações e não uma, e não as duas do mesmo mês.
  2. Impacto. O que mudou por causa disso, para lá da entrega da própria pessoa — noutra equipa, num cliente ou numa decisão que a empresa tomou.
  3. Comparação com o nível esperado. A frase que explica porque é que isto é o nível acima e não um bom ano neste nível. Se essa frase não se consegue escrever, a classificação está um nível acima do que devia.

É este o método que torna a calibração curta. Uma classificação com estas três frases é aprovada depressa ou corrigida depressa.

O padrão de evidência é o que decide tudo

A consistência entre gestores não vem da escala. Vem de acordar o que conta como evidência antes de o ciclo começar.

Defina-o explicitamente: situações concretas em vez de impressões gerais, trabalho de todo o período e não das últimas seis semanas, resultados que a pessoa conseguia influenciar e, nos níveis seniores, pelo menos uma fonte além da observação do próprio gestor.

Calibração à medida da empresa

A calibração não é um exercício de distribuição e não deve ser conduzida como tal. Forçar uma curva numa equipa de nove produz uma decisão que não se consegue explicar à pessoa afetada, o que é a definição de um mau sistema.

Para que serve a calibração: garantir que a classificação de topo significa o mesmo em duas equipas diferentes. Um formato exequível para uma empresa abaixo das 300 pessoas:

  1. Os gestores submetem avaliações com evidência, antes da sessão.
  2. Calibra-se primeiro dentro de cada função, em grupos de quatro a seis gestores.
  3. Cada gestor apresenta apenas o topo e a base propostos, com evidência.
  4. O grupo contesta a evidência, não o gestor.
  5. Um facilitador regista todas as alterações e a razão de cada uma.
  6. A calibração entre funções acontece ao nível da liderança e apenas para níveis seniores.

As razões registadas importam mais do que as classificações. Tornam-se o precedente que acelera o ciclo do ano seguinte e o material que um gestor novo lê para perceber o padrão.

Decida a ligação à remuneração antes do primeiro ciclo

Decida o que decidir, mas decida antes e diga-o em voz alta. O modo de falha não é "as avaliações afetam a remuneração" nem "não afetam" — os dois funcionam. O modo de falha é ninguém saber qual é verdade, e por isso cada um presumir a versão que lhe convém.

Se o desempenho informa a remuneração, o mapeamento deve ser explícito: que classificação produz que intervalo de resultados, como a posição na banda o modifica e quem aprova exceções. Se não informa, seja claro sobre o que determina de facto a remuneração, ou a avaliação será lida como sinal salarial de qualquer forma.

Uma avaliação que as pessoas não conseguem ligar a nenhuma consequência não é neutra. É lida como uma consequência que ninguém vai explicar.

Prepare os gestores para a conversa, não para o formulário

A maior parte da formação cobre como preencher a avaliação. Quase nenhuma cobre a parte que os gestores acham verdadeiramente difícil: dar uma mensagem que alguém não quer ouvir, sem a suavizar até à ambiguidade nem a transformar num processo formal. Pratique com casos reais e com os gestores que os vão conduzir; noventa minutos de ensaio mudam mais do que um guia bem produzido, porque a dificuldade não é de compreensão.

Um primeiro ciclo mínimo viável

Se está a começar do zero, não construa o sistema completo. Construa isto, corra-o uma vez e corrija com o que aprender:

  • Expectativas para os três ou quatro níveis que realmente existem.
  • O modelo acima, com um campo de evidência que não pode ficar vazio.
  • Uma escala de três ou quatro pontos com definições escritas.
  • Uma ronda de calibração por função.
  • Uma conversa definida, com modelo e uma sessão de ensaio.
  • Uma posição declarada sobre como isto se liga à remuneração.

Isso é um sistema de avaliação de desempenho a funcionar. Tudo o resto é afinação, e afinar é muito mais fácil depois de ver onde a organização tropeça de facto. Se preferir não partir de uma folha em branco, é esse o trabalho que fazemos no Ciclo de Performance.

Ana Reis

Co-fundadora — Pessoas e Gestão

Ana Reis

Constrói as fundações de Pessoas de empresas em crescimento — e acompanha-as até funcionarem no dia a dia.

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