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Como as Empresas de Fundadores Reduzem a Dependência do Fundador

A delegação falha quando a tarefa muda de mãos e o padrão fica na cabeça do fundador. O trabalho é escrever o critério, não passar a lista de tarefas.

Francisco Campos4 min de leitura

A dependência do fundador é normalmente descrita como um problema de delegação, o que a faz parecer uma falha pessoal. É mais rigoroso descrevê-la como um problema de informação. O fundador detém um padrão que nunca foi escrito, e por isso quem quer que tome a decisão está a adivinhar critérios que não consegue ver.

É por isso que o conselho habitual não funciona. "Largar mais" produz decisões piores, o fundador intervém para as corrigir e a organização aprende que a delegação é provisória. O ciclo aperta.

O que está de facto concentrado

Vale a pena ser preciso sobre o que está no fundador, porque as quatro coisas têm soluções diferentes.

O que está concentradoComo se manifestaO que o transfere
O padrãoO trabalho é refeito depois de o fundador o verCritérios escritos e exemplos trabalhados
Quem decideHá coisas à espera de aprovação que ninguém formalmente exigeRegras explícitas sobre quem decide o quê, com limites definidos
O contextoAs pessoas não conseguem pesar um compromisso porque desconhecem a estratégia por trásPrioridades enunciadas e o raciocínio que as sustenta
As relaçõesClientes, parceiros ou candidatos só respondem ao fundadorApresentação deliberada e acompanhamento conjunto durante um período definido

A maioria dos fundadores tenta resolver as quatro indo a menos reuniões. Só a segunda responde a isso.

Escreva primeiro o padrão

É o documento de maior alavancagem que uma empresa liderada pelo fundador pode produzir, e quase nenhuma o tem. Responde, para as duas ou três decisões que mais importam: o que é bom, que compromissos são aceitáveis e o que nunca pode ser cedido.

Um método exequível: pegar em cinco decisões recentes que o fundador tomou e defenderia, e cinco que reverteu. Para cada uma, escrever o raciocínio — não o resultado, o raciocínio. O padrão é aquilo que se repete nos dez casos, e é normalmente mais curto e mais consistente do que o fundador espera.

Transfira decisões, não tarefas

Delegar tarefas move o trabalho e mantém o critério. Transferir decisões move os dois, e é a única versão que reduz carga. Exige que quatro coisas sejam enunciadas:

  1. Que decisão está a ser transferida, em concreto.
  2. A fronteira: o que esta pessoa decide sozinha e a partir de que limiar volta ao fundador.
  3. O que significa "consultado", se alguém tiver de ser consultado, e até quando.
  4. O que o fundador faz quando discorda de uma decisão tomada dentro da fronteira.

A quarta é a que determina se tudo o resto se aguenta. Se o fundador reverte decisões dentro da fronteira, a fronteira não existe, e toda a gente aprende isso mais depressa do que aprende qualquer modelo. A posição exequível é aceitar os resultados dentro da fronteira e alterar a fronteira explicitamente se ela se revelar errada.

Construa os líderes que a vão sustentar

As decisões transferem-se para funções, e as funções são ocupadas por pessoas que têm de ser capazes de as tomar. Em muitas empresas de fundadores, a camada de gestão foi promovida por excelência individual e nunca lhe foi dito o que gerir aqui envolve.

O mínimo é uma declaração escrita daquilo por que um líder responde, as rotinas que a suportam — reuniões individuais, reuniões de equipa, revisões de objetivos — e um ciclo de formação sobre as conversas que vão ter de conduzir. É essa a substância do trabalho de liderança e gestão, e é o que faz as decisões transferidas ficarem de pé.

Sequencie por trimestres, não por semanas

Uma sequência realista para uma empresa entre as cinquenta e as cento e cinquenta pessoas:

  • Primeiro trimestre. Escrever o padrão para os dois tipos de decisão que mais tempo consomem ao fundador. Definir quem é responsável por quê na camada imediatamente abaixo.
  • Segundo trimestre. Transferir o primeiro tipo de decisão com fronteiras explícitas. Estabelecer expectativas para líderes e as rotinas de gestão.
  • Terceiro trimestre. Transferir o segundo. Fazer o primeiro ciclo de desempenho em que são os líderes, e não o fundador, a sustentar o padrão.
  • Quarto trimestre. Rever o que voltou ao fundador e porquê. Ajustar as fronteiras em vez de voltar a chamar a si as decisões.
A medida do progresso não é quantas reuniões o fundador deixa de ter. É quantas decisões são bem tomadas sem ele e nunca chegam a ser mencionadas.

O que é bom ao fim de dezoito meses

O fundador continua a ser a pessoa com melhor critério na empresa. Isso não muda nem precisa de mudar. O que muda é que esse critério passa a estar disponível como critérios escritos em vez de disponibilidade pessoal, e a organização consegue chegar à mesma conclusão sem o ter na sala.

Há também uma dimensão comercial que vale a pena dizer sem rodeios. A dependência do fundador é uma questão de avaliação da empresa. Qualquer comprador ou investidor em processo de due diligence vai testar quanto da qualidade de decisão é transferível, e uma empresa que mostra padrões escritos, clareza sobre quem decide o quê e uma camada de gestão a funcionar responde bastante melhor a essa pergunta do que outra que depende de o fundador estar em todas as salas.

Co-fundador — Organização e Operações

Francisco Campos

Construiu empresas em crescimento por dentro: primeiro colaborador e depois COO da Onport, até à aquisição pela Farfetch.

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